Note to Self

We live in a world where you either have to love yourself or you have to hate yourself. Where there are so many types of perfect that you need to fit in. There are so many loved imperfections you feel the need to achieve it. So much love and so much hate for just bodies… and the mind gets left behind.
I grew up with people pointing out my imperfections all the time, I grew up thinking that my body and my appearance are what defines me. It was a long and hard journey just to accept that they don’t. Somedays I still don’t believe it. It’s a path, a journey, never ending, towards self-improvement in my mind and my soul. Towards accepting the days that I love myself and the days that I hate myself. It’s a lesson that I hope I get to learn completely and then it can lead to a more fulfilling and less anxious state of mind. And hopefully the reflection on the mirror will match my soul.
I know what needs to be done: put myself first, take care of myself, accept myself, accept my feelings and my emotions.
I’m past 30, and still on that journey, I still have a long way to go. But meanwhile I’m here enjoying life, the good and the bad days, enjoying people, enjoying myself.

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Uma carta de amor

Há momentos que sinto que preciso do som das ondas, do cheiro a mar, de sentir a areia molhada e fresca nos pés descalços. Não conseguiria viver longe do mar.

Cresci relativamente perto do mar e agora vivo ainda mais perto dele! É um luxo estar em casa e sentir o cheiro da maresia. É um luxo poder sair e dali a uns metros ter a maravilhosa Ria Formosa a cintilar, apanho um barco e mais à frente estou num sítio paradisíaco, praticamente à porta de casa. Sou uma afortunada!

Apesar de tudo amo viver no meu Algarve e tenho um carinho imenso pela terra que me acolheu. Sou Algarvia antes de ser Portuguesa. Tenho alguma ligação à cultura do país que me viu nascer, muito devido à minha família, que foram portugueses emigrados na Venezuela e aconteceu nascer por lá. Mas o Algarve é onde vivo desde que me conheço como gente e é esta região que faz parte da minha identidade! Nota-se na maneira como falo (algarvio marafade), na maneira como como, na maneira como convivo e nesta ligação tão especial que tenho com o mar.

Das memórias mais queridas que tenho de infância são ligadas ao mar e à praia, praticamente cresci à beira mar!

Sou de uma altura em que os ATLs, amas, campos de férias e coisas do género eram coqueluches para quem podia dispender desse dinheiro, mas no caso da minha mãe, uma mulher divorciada a cuidar de 2 (mais tarde 3) filhos praticamente sozinha não era de todo uma opção.

Ficava na casa da minha avó e com muito gosto. A minha avó era uma senhora muito especial, sempre pronta para aventuras e foi assim até ao fim dos seus dias. Nas férias do verão íamos todos os dias para a praia, penso que só falhava se tivesse mau tempo ou por motivo de força maior. Lá ia eu com a minha avó de cesta na mão, toalha ao ombro e sombrinha em punho. Por vezes ia connosco uma ou outra amiga dela ou minha. Mais tarde a minha prima também começou a acompanhar-nos.

Passavamos o dia inteiro na praia e eu passava o dia inteiro dentro de água. Acho que só saía quando estava em pré-hipotermia, com os lábios roxos e a pele toda enrugada.

A minha avó sempre confiou em mim, eu adorava isso. Eu ia para o mar e não precisava que ela fosse comigo, sentia-me sempre segura porque sabia que ela estaria ali vigilante e sentia-me confiante porque sabia que ela confiava o suficiente em mim para me deixar aventurar sozinha e tomar as minhas próprias decisões. Acho que acabou por ser assim nos restantes aspectos da minha vida. Sempre senti o apoio dela, mesmo que indirecto ou nas entrelinhas, e no meio das inseguranças da vida sabia que no fundo seria capaz de tomar as rédeas das minhas decisões e enfrentar a vida de frente, assim como fazia quando em miúda enfrentava o mar sozinha.

Sem dúvida que as melhores memórias que tenho da minha avó estão associadas ao mar e à praia e sou grata por isso! Aquele caminho entre Loulé e Quarteira, de janelas abertas, no seu Mazda vermelho, com os estofos em pelúcia com padrão de dálmata (incríveis!!) sempre com a rádio a tocar de fundo, a antecipação ia crescendo, quando ali mais ou menos a meio caminho, o cheiro a campo começava gradualmente a dar lugar ao aroma do mar denunciando a chegada, em breve, à praia do Loulé Velho, das mais frequentadas por nós – só de pensar faz o meu coração sorrir mais um pouco. Sou grata por todos esses momentos, que considero serem parte de uma infância de luxo! Luxo no sentido não-material, mas no sentido de ter tido experiências tão felizes e memórias tão boas, que felizmente vieram a contrabalançar com o menos bom e os momentos mais difíceis.

Por isso acredito sim, viver no Algarve é bom, é um luxo pelo qual sou grata e sem o qual não sei se saberei viver. Se um dia sair daqui tenho a certeza que será temporário.

É um luxo sair do trabalho e ainda poder dar um pézinho na areia, é um luxo as petiscadas com amigos à beira mar (ou à beira ria). É um luxo logo aqui ao lado a Serra do Caldeirão ter tantos paraísos escondidos. É um luxo o facto de andar 30 minutos de barco e poder estar numa ilha paradisíaca. E amo isso. Amo poder chegar na praia, seja inverno ou verão, por os pés descalços na areia, respirar fundo, centrar a mente e contemplar o quão incrível é este lugar ao qual tenho o privilégio de chamar de casa!

Foto postal: Alentejo

Quando se fala em Alentejo é esta imagem que vem à cabeça planícies salpicadas por pequenos montes revestidos de um dourado quente, um prato de migas de espargos e bom vinho. Mas se nos dermos ao trabalho de descobrir o Alentejo pode ser muito mais. Os poucos dias que tenho o privilégio de lá passar são preenchidos por muito silêncio, pasmaceira (que não é necessariamente mau) boa comida e algumas sestas extra. Como tenho aversão ao calor, a altura que mais gosto de visitar é na Primavera, os campos estão verdejantes, há sempre uma neblina mágica ao amanhecer e a temperatura convida a explorar. No Verão entro em modo hibernação e só me atrevo a sair no lusco-fusco. Com internet e tv fora da equação, estes dias permitem-me viver o tempo sem distrações e como sabe bem libertar a mente!

Acho que hoje em dia é cada vez mais difícil libertar-mo-nos das distrações fáceis, que nos levam a estar sempre a procurar o que fazer no próximo minuto (e no depois e a seguir) e que inevitavelmente nos leva a ficar ansiosos e a não saber o que fazer connosco mesmos quando estamos sozinhos.

Hoje em dia estar sozinho é motivo para uma ansiedade desmedida, há um medo da solidão que nos é instilado desde cedo. Como se estar sozinho fosse uma doença terminal que só podemos evitar se ocuparmos cada minuto da nossa existência com todo o tipo de actividades, seja trabalho, horas no ginásio, horas de netflix, horas de youtube, horas de mindless browsing até dormir, voltar a acordar e repetir. Procuramos qualquer coisa que prencha os espaços, os vazios e que nos impeça de estar connosco mesmos.

Há tempo para tudo. Viver no presente ou viver intensamente não tem de ser sinónimo de estar sempre all over the place. Há que reservar algum tempo para para parar, para me centrar, para me escutar, para aprender a estar comigo. Não nos podemos evitar a nós mesmos para sempre (ou não devemos) pois chegará um dia que deixamos de reconhecer a nossa própria voz. Deixamos de saber quem somos se não estivermos com outros ou com o cérebro sempre a computar, e aí começamos a sentir o peso da solidão. Sim porque estar sozinho ou sentir-se só são coisas bem diferentes e que se podem tornar sufocantes quando o não saber estar sozinho se conjuga com sentir que ninguém se importa.

Portanto para mim estes momentos de pasmaceira, de fazer nada e escutar os meus pensamentos ajudam-me a centrar e a encontrar. Para que depois tenha a energia e força necessária para poder investir o meu tempo com as outras pessoas, no trabalho e nas distrações fáceis.

E isso é o que mais gosto quando visito o Alentejo. As distrações são forçosamente retiradas da equação. Fico só eu. Ficas só tu. E reaprendemos ou relembramos o privilégio que é sermos nós.

“I will gladly break my heart for you”

Deixa-me dizer-te, meu amor, não era isto que eu queria.
Ficar vulnerável à dor da tua partida.
Deixa-me que te diga, meu amor,
Não era isto que esperava,
Ficar susceptível à mágoa da tua indiferença.
Devo confessar-te, meu amor,
Que não contava
Apaixonar-me, assim, tão abruptamente.
Tenho de admitir, meu amor,
neguei até se tornar demasiado evidente,
Que o meu coração já estava entregue a ti,
E o meu corpo já sentia a tua falta.
Apesar do medo e da angústia,
Devo dizer-te, meu amor,
Que o risco da dor vale pela recompensa da felicidade.

Sobre o amor que não é perfeito I

É uma lição que se demora a aprender, e pode até ser das mais difíceis, que me levou muito tempo a aprender. O amor não é perfeito, não é equitativo, não é equilibrado. O amor numa relação tem de ser incondicional mas pode não chegar. O esforço que colocamos, o trabalho que temos de fazer para o manter vivo, dar-lhe água, fazer-lhe chegar luz – esse esforço nem sempre é equitativo, nem sempre é 50/50. Ás vezes damos mais de nós em certos momentos ou certos aspectos de uma relação, e não faz mal, de certa forma estamos a compensar, a re-equilibrar. A outra pessoa também terá a sua quota parte parte de investimento que não é sempre igual em todas as fases da relação, em todos os momentos ou situações. Não quer isto dizer que um é mais importante que o outro, simplesmente somos humanos e não somos perfeitos.
Há um ajuste constante de ambas as partes e penso que é aqui que está a chave – a adaptação. O amor, a relação a dois, é algo tão orgânico, que não pode ser gerido por padrões, por standards ou linhas orientadoras. É algo tão orgânico que exige uma constante adaptação de ambas as partes. É algo que cresce, que evolui, que se transforma (tal como as pessoas que fazem parte dela) e deve ser tratado como o ser orgânico que é – exigindo por isso uma constante adaptação das partes.
E a acrescentar a esta constante mutação da relação, as pessoas também se transformam, também crescem, nelas próprias e uma com a outra. E como não nos deixarmos perder a nós mesmos no meio disto tudo? É uma linha tão ténue, perdermos a identidade do eu porque nos fundimos na identidade do “nós”, mas não é inevitável.

Se há coisa tão simples e ao mesmo tempo tão complexa de viver é o amor e uma relação amorosa.
E se há coisa tão simples que podemos fazer para regar essa planta é comunicar. Expressar o que sentimos, expressar o que queremos, expressar o que somos, com sinceridade e honestidade. Fechando as portas a assumpções e deixando bem claro as certezas.Para que ambas as partes saibam ao que vão e em que pé estão. O que esperar um do outro, sem surpresas, sem sustos, com segurança. Comunicar e expressar também evita que nos anulemos como individuos de uma relação, lá porque somos “nós” nunca poderemos deixar de ser eu e tu. Se um de nós se anula passamos a ser só eu ou só tu e ficamos inevitavelmente sozinhos. Não há nada pior do que nos sentirmos sozinhos com alguém ao nosso lado, parece que dói ainda mais.

Isto é uma lição tão simples mas tão difícil de aprender. Porque será? É uma verdade simples, nem sempre o trabalho de ambos numa relação será igual, mas não faz mal.  O que interessa é que se amem um ao outro, que se repeitem e que acima de tudo sejam sempre sinceros. A partir daí, mesmo que por vezes um tenha de trabalhar mais que o outro em certos aspectos, o que interessa é que ambos caminham para o mesmo e sabem disso, sem nunca se perderem – um do outro e de si mesmos.

O Conto – II. A Entrega

#Repost

Livro de Reclamações

Foi naquele beijo que ele soube que a sua vida mudara para sempre.

O beijo foi a sua confissão sem palavras, beijou-a como se procurasse a absolvição pelos momentos em que a cobiçou. Ela recebeu a sua confissão e entregou-lhe um mundo de desejos insólitos onde já o despira e ele já a fodera furiosamente.

O coração dele colidia com o peito dela, atemorizado, consternado e apressado pela necessidade. E sustiveram a respiração numa tentativa de suspender a vida naquele beijo. Ele enfiou-lhe a mão pelo decote dela violando-lhe a carne, ela reagindo ao gesto desautorizado dele coloca uma perna e torno da cintura dele. Fá-lo sentir, no pénis palpitante dentro das calças, o calor da sua cona encharcada.

E foi entre o tilintar da fivela do cinto dele, os ruídos de fundo de uma festa distante e o frio negro de uma noite sem lua que ele a penetrou…

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