
Sabes quando por vezes passas num lugar e és catapultada no tempo e no espaço? E o teu coração aperta um bocadinho. E tu sentes aquele nó na garganta. Daquele beijo trocado. Do abraço. Da voz dele que ecoa no teu peito. E fechas os olhos com tanta força, porque queres que essa memória não fuja. E abres os olhos e ele está ali, mas não está. E sentes todo esse fogo que te queima por dentro. E ardes na fúria que te consome no peito. Quase que sentes o seu cheiro. E sentes as mãos dele que te puxam. E tu sabes que queres ir mas tens medo. E cerras os olhos com força. Não queres voltar a sentir aquilo que só tu sabes o que é. Uma paixão tão boa que dói. E está mesmo ali, adormecida debaixo da tua pele. Faz-te muita impressão. E tu até pensas que é outra coisa que te incomoda, mas não… é aquele animal que vive dentro de ti mas ninguém conhece. Só ele. Ele sabe quem tu és mas ao mesmo tempo não sabe. E tu desesperas. São gritos sem voz aprisionados dentro de ti, naquele momento em que respiras fundo e engoles a saudade em seco. Às vezes preferias não recordar mas… tu sabes que não queres nunca esquecer. A maneira como ele te fazia sentir mulher e ao mesmo tempo menina. Como foi bom e como doeu ao mesmo tempo. Quando ele te disse que te amava e tu… sabias que o amavas. Mas continuas a sentir aquele desespero. Como se ele segurasse o teu coração e o apertasse demasiado. Sabes quando passas nesses lugares que têm o vosso nome escrito por todas as paredes, pedras de calçada, grãos de areia. E mais ninguém vê, só tu e ele. Por mais tempo que passe. E cerras o punho prometendo não pensar mais nisso. Mas não consegues. Porque quando viras na outra esquina sabes que foi ali que ele também olhou para ti. E tu sabias mas nada disseste. E assim desapareceu com a brisa. E tu continuaste. Sabes?




