O Conto – II. A Entrega

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Livro de Reclamações

Foi naquele beijo que ele soube que a sua vida mudara para sempre.

O beijo foi a sua confissão sem palavras, beijou-a como se procurasse a absolvição pelos momentos em que a cobiçou. Ela recebeu a sua confissão e entregou-lhe um mundo de desejos insólitos onde já o despira e ele já a fodera furiosamente.

O coração dele colidia com o peito dela, atemorizado, consternado e apressado pela necessidade. E sustiveram a respiração numa tentativa de suspender a vida naquele beijo. Ele enfiou-lhe a mão pelo decote dela violando-lhe a carne, ela reagindo ao gesto desautorizado dele coloca uma perna e torno da cintura dele. Fá-lo sentir, no pénis palpitante dentro das calças, o calor da sua cona encharcada.

E foi entre o tilintar da fivela do cinto dele, os ruídos de fundo de uma festa distante e o frio negro de uma noite sem lua que ele a penetrou…

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O Conto IV – “Tudo e Nada”

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Livro de Reclamações

Ela tinha um vestido de Verão amarelo, que se desabotoava pela frente. Era leve, alegre e cheirava baunilha. Quando entrou no carro estava ansiosa, não sabia o que dizer, beijou-o com saudade mas reticente. A viagem foi silenciosa, linearmente dolorosa, o tempo tem a capacidade de mover montanhas de insegurança. Quando entraram no quarto do hotel sentiu-se constrangida, ali estava ela com aquele homem com quem tinha partilhado as sombras da sua alma e ao mesmo tempo desconhecia. E sentia um constrangimento ensurdecedor. Parecia que tudo o que haviam sentido e partilhado começava a cair num nada. Um nada que lhe sugava toda a vida e a consumia de medo. Medo desse vazio que se expunha entre eles cada vez que partilhavam a paixão que sentiam. Porque ela sentia que havia tudo entre eles e sentia que nada podia fazer quanto ao futuro incerto do nada. Ela sabia que era…

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