“Um dia vamos juntos.”


Foi esta a promessa que fizemos um ao outro.

Teríamos ido juntos, com toda a certeza, não fosse a vida a arrancar-nos um do outro, teríamos caminhado de mãos dadas até ao horizonte. E que bom teria sido!
Mas não fomos e não faz mal. Continuamos a caminhar paralelamente, percorrendo o rio do tempo cada um na sua margem. Sem nunca deixar de olhar, sem nunca deixar de sorrir, sem nunca deixar de querer, mas nunca podendo nos aproximar.
Sendo perto ou longe as mãos não se tocam mas apoiam-se.
Se me veres cair aguardas até que me consiga levantar. Está tudo bem, tu estás aí e isso dá-me alento ao coração, dá-me alento à alma.
Partilhamos momentos mas noutro tempo, noutro espaço ou noutra dimensão. Haverá sempre o vestígio da nossa presença em cada uma das nossas vidas pois nunca deixamos de existir, só deixamos de ser. Mas continuamos a estar. A sorrir, a correr, a parar, a viver, a caminhar lado a lado, cada um no seu, rumo ao horizonte.

Um dia vamos juntos – a promessa que acabou por nunca se cumprir.

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Fotografia do Porto


O Porto é uma menina a falar-me de outra idade. Quando olho para o Porto sinto que já não sou capaz de entender a sua voz delicada e, só por ouvir, sou um monstro que dói. Mas os meus dedos são capazes de tocar-lhe os ombros, afastar-lhe os cabelos. Entre mim e o Porto, existem milímetros que são muito maiores do que quilómetros, mesmo quando os nossos lábios se tocam, sobretudo quando os nossos lábios se tocam. De que poderíamos falar, eu e o Porto, deitados na cama, a respirar, transpirados e nus?
Eis uma pergunta que nunca terá resposta.  

José Luís Peixoto in Gaveta de Papéis

Caminho para o nada

Preciso que sigas em frente sem olhar para trás.

(Não, espera!)

Preciso que sejas mais forte que eu.

(Pára, escuta!)

Preciso que me esqueças para sempre.

(Ou nunca!)

Preciso que este momento seja o final.

(Dá-me a mão, fica!)

Quero que guardes apenas este último beijo.

(Não me deixes ir!)

Quero que sintas este último abraço.

(Por favor, pára!)

Quero que saibas que vou-te amar para sempre.

(Para sempre.)

Tens de saber que já não consigo.

(Amar-te e não ter-te.)

Tens de saber que me magoas.

(Que me partiste o coração.)

Fica a saber que não é uma decisão fácil.

(Não quero, abraça-me!)

O nosso amor poderia ter sido tanto!

(Mas não quiseste!)

Tens de perceber que no amor não há uma segunda opção!

(É tudo ou nada!)

E poderias ter sido tudo.

Não olhes para trás.

(Nada.)

Porquê escrever? 


“A escrita é um encontro entre duas pessoas através das palavras.”

Escrevo para estar contigo, escrevo para estar comigo. Para dizer tudo o que não pude falar e mostrar tudo o que não pude sentir. Para transformar as memórias em saudade, em paixão, em mágoa. Para nunca esquecer e para sempre poder recordar.
Escrevo para exorcizar. Para expelir os demónios e lavar a alma. Para não chorar. Para sorrir cada vez que releio cada memória partilhada.
Escrevo para conversar contigo. Porque a minha alma não pode ficar calada. Porque é assim que mantenho a chama acesa, a sensação de que estou aqui, estou presente, de que sou capaz de deixar a minha marca. Por mais pequena que pareça, mas afinal o que somos nós senão partículas espalhadas pelo universo? 

O que é este blog senão apenas palavras deitadas no vazio, que vagueiam entre o tempo e o espaço, que ecoam em ti, que vibram em mim?
Escrevo porque posso, porque preciso, porque quero, porque é urgente. Porque é para mim e é para todos e não é para ninguém, nem para ti.
Escrevo para não ter de o dizer.