Só passou um dia mas parece que voou toda uma eternidade.
Já não te disse olá quando acordei.
Continuas a surgir no meu pensamento enquanto as horas se arrastam pela sala vazia, não te consigo ver mas ainda te consigo sentir.
Há um vazio mudo nas palavras.
Arrasto-me pelo silencio da mágoa. A única coisa que ficou. Mágoa, solidão, medo, saudade, amor. Tudo o que resta mas não chega, tudo o que dói mas não parte. Permanecem para me recordar o quanto fazes falta, mesmo não estando.
Que raio de merda é esta a paixão?
Ouço-te dizeres-me num sussurro que me amas, a medo, porque sabes que estamos condenados ao nada. E eu também o sei. Sempre soube. Mas dizes na mesma e o amor cai como uma pedra no nosso coração. Destruidor. Totalmente o oposto daquilo que achamos que o amor é: destrói, amarra, magoa, fere, rasga, ensurdece, amarga, distancia, endurece, quebra, queima.
E se 24 horas sem ti pareceram uma vida…
Tinhas de aparecer e levar tudo de mim contigo. Arrancaste-me a alma e agora não consigo mais amar. Não consigo pensar no nunca ou no sempre.
Quero arrancar esta doença do meu peito.
Quero apagar a tua presença do meu corpo.
Quero tapar o vazio da tua ausência.
Não. Quero sair da impossibilidade.
Pára de respirar no meu ombro e de me beijar o pescoço, não aguento mais continuar a saber que ainda me amas e que ainda te amo. Este amor doente, decadente, moribundo.
Sem espaço, sem tempo nem circunstância.
Condenado à morte desde o primeiro eterno segundo.
Deixou-nos a sentença da saudade e da distância.