Por vezes era o que de desejava, não pensar em ti, pelo menos assim não me sentia constantemente invadida pela tua presença ausente. Conseguia sentir os teus beijos, mesmo que não me estivesses a beijar. Conseguia sentir-te a km de distância, cada vez mais perto do meu coração. “Não penses em mim”… Pfff, que brincadeira de mau gosto essa. Arrancavas palavras do meu peito como se fossem tuas. Amo-te, quero-te, tenho-te. E levianamente dizias-me, autoritário, não te esqueças de mim. Como se fosse possível ignorar as marcas de quando rasgaste o meu coração e guardaste em ti todos os pedaços, garantindo que eu era só tua. De mais ninguém. Sabias que era improvável esquecer-te. Como poderia, já fazias parte de mim e esquecer-te seria quase como renegar-me. Viveria incompleta.
E num abraço sufocante ias embora, sem olhar para trás, cobarde.
E eu ficava a tentar não esquecer, a tentar não pensar.