
De vez em quando venho aqui apenas para folhear páginas. Sou uma visitante das minhas próprias palavras. De capitulo em capitulo vou revivendo as emoções que ficaram tão conservadas nestes textos irrequietos. Recordo-me as razões pelas quais O Livro nasceu e o quanto cresceu em mim. Desde o final de um grande amor ao nascimento de uma enorme paixão avassaladora, O Livro acompanhou-me e eu deixei nele pequenos pedaços de mim. Aqueles que não conseguia dizer a ninguém, explicar a alguém. Os momentos que tive de exorcizar sozinha, as decisões e indecisões. A saudade. Principalmente a saudade.
E hoje, as palavras não pintam tanto de preto como antes, mas O Livro é a minha bengala. É uma extensão da minha alma. É a parte de mim que não consigo mostrar e que ao mesmo tempo está aberta ao mundo!
Venho folhear palavras escritas, páginas, capítulos, para me recordar que existe uma força motriz que me obriga a ultrapassar toda a mágoa, todo o vazio, toda a solidão. Lembra-me que sou capaz de amar. E que sou capaz de escrever.