Daquela vez só te queria dizer que só quero que sejas feliz. Não deu para o seres comigo, nem para eu o ser contigo. Mas podes ser feliz, eu quero que sejas. Quero ver-te feliz. Quero saber-te com alguém que te ama, que te pode dar aquilo que procuras e principalmente aquilo que precisas. Há algo que por dentro de mim se contrai quando te imagino com essa pessoa. Essa pessoa que correspondeu às tuas expectativas. Mas o sentimento de te querer bem é maior. É só porque o tempo passa para ambos e ainda penso em todos aqueles momentos que partilhamos e que desejamos que fossem prolongados indefinidamente. É normal que as memórias de uma paixão que me abalou o mundo teimem em surgir sem convite. Não as relembro com pesar, arrependimentos ou queixume apenas com um sorriso. Logo a seguir questiono-me se também a ti. O tempo fá-las desvanecer. Imagino-te feliz e com alguém que te segura pela mão, te olha nos olhos e diz que te ama, te rouba um sorriso, um beijo e um abraço. Lembro-me desse sorriso, desse beijo e desse abraço, guardá-lo-ei para sempre. Guardar-te-ei para sempre.
Mês: Janeiro 2012
Não desistir.
Houve alguém que me disse que não conseguia estar comigo por causa da minha força, da minha vontade de não desistir. Que se sente tão frágil a ponto de a inspiração de outra pessoa não lhe dar alento mas sim derrota-a. Compreendi. Por vezes a vida trás-nos demasiados desafios, todos ao mesmo tempo, que parece que nunca teremos a força necessária para os ultrapassar. Desafios é dizer pouco, é como se houvesse um conluio do Universo contra nós…Como se não houvesse mais ninguém no planeta, porque tem ele (o Universo) de se ocupar em nos dificultar a vida??? É fácil deixar-mo-nos ir com a corrente e deixar de nadar, esbracejamos um pouco – «Sim!!!! Eu tentei! Tu viste!» – Será que tentamos as vezes suficientes com a força necessária? É fácil responder que sim, encolher os ombros e assumir «Não sou eu que não consigo! É só que é demasiado difícil!» Porque lutar é ainda mais difícil. Esbracejar contra a corrente, sobreviver, “to overcome” é mais difícil. Acreditar ainda é mais difícil. E mais complicado ainda é não desistir. Compreendi. Também eu já pensei que seria mais fácil fechar os olhos e ignorar, contar-me a história do “fiz aquilo que pude”. Será que fiz mesmo? É essa a pergunta tramada. A que nos faz duvidar e pensar se realmente estaremos a desistir daquilo que é mais importante – nós próprios e os nossos sonhos.
E foi isso que me perguntei. Será que fiz mesmo o que tinha ao meu alcance para atingir os meus objectivos? Estarão essas vitórias tão longe do meu caminho? Serei eu capaz de algum dia alcança-las? Se não o fizer, estarei eu a desistir de uma parte de mim?
Sim. Se desistir daquilo que um dia pensei, sonhei, projectei (o que for) para mim, sim estou a desistir de uma parte de mim. Talvez seja por isso que sinta constantemente um pequeno vazio dentro de mim, uma falta de qualquer coisa que nunca soube explicar. São os pedacinhos da minha alma, da minha existência, da minha mente, que fui abrindo mão. Em nome de quê? Do medo de falhar? Do medo de os outros acharem que vou falhar? Do medo de que não haja validação?
Deixei de ouvir as previsões de falhar, deixei de procurar a validação dos outros. Deixei de ter medo de tentar. O melhor que pode acontecer é conseguir, o pior que pode acontecer é não conseguir. E se não conseguir? Traço outros objectivos, tento outra vez, tento mais tarde, mas enquanto for possível e enquanto for aquilo que desejo tento não deixar cair mais essa parte de mim.
E é assim que penso, um dia de cada vez, qualquer que seja a circunstância, mesmo que o karma me dê uma chapada na cara, mesmo que o Universo me dê um pontapé no cú: não vou desistir.
Porque se desistir o pior que pode acontecer é morrer por dentro e viver num sonambulismo permanente. E isso não é viver. Se é pra viver é para fazê-lo como deve ser.
O meu Livro

De vez em quando venho aqui apenas para folhear páginas. Sou uma visitante das minhas próprias palavras. De capitulo em capitulo vou revivendo as emoções que ficaram tão conservadas nestes textos irrequietos. Recordo-me as razões pelas quais O Livro nasceu e o quanto cresceu em mim. Desde o final de um grande amor ao nascimento de uma enorme paixão avassaladora, O Livro acompanhou-me e eu deixei nele pequenos pedaços de mim. Aqueles que não conseguia dizer a ninguém, explicar a alguém. Os momentos que tive de exorcizar sozinha, as decisões e indecisões. A saudade. Principalmente a saudade.
E hoje, as palavras não pintam tanto de preto como antes, mas O Livro é a minha bengala. É uma extensão da minha alma. É a parte de mim que não consigo mostrar e que ao mesmo tempo está aberta ao mundo!
Venho folhear palavras escritas, páginas, capítulos, para me recordar que existe uma força motriz que me obriga a ultrapassar toda a mágoa, todo o vazio, toda a solidão. Lembra-me que sou capaz de amar. E que sou capaz de escrever.
