No Entretanto

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Existem na vida momentos que parece que tudo passa rápido demais. Mal temos oportunidade de guardar a lembrança de um cheiro, um gesto, um som. E existem outros que parece que esperamos que a vida passe por nós. Tudo acontece muito devagar ou nada acontece tão depressa. O Sol nasce e o Sol põe-se e no entretanto a vida passou por nós e nós passamos por ela.
Parece que estamos em suspenso, apanhamos fôlego e aguardamos para podermos expirar. Mas nada acontece.
Tenho o coração em suspenso entre a mágoa e a felicidade e sinto a vida em suspenso entre o acordar e o adormecer.
Sinto o momento em suspenso entre o acreditar e a desilusão.
Até as palavras estão em suspenso.
Mas isto é uma ilusão. A vida passa sempre rápido demais depende de nós o facto de a conseguirmos ver, sentir e escutar na mesma proporção. Mas neste momento parece-me que não, não consigo. É como estar num corredor que nos leva de uma sala para a outra, estou no entretanto de uma etapa da minha vida, não posso respirar de alívio por lá ter chegado nem inspirar fundo por já ter partido. Estou a conter a respiração, num momento suspenso, até deixar de ver a luz da última sala e começar a sentir a intensidade da próxima divisão. E este corredor é escuro e longo, o caminho é moroso, mas não será eterno. Chegamos sempre a algum lado.

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Os Mirones e As Férias da Páscoa

Quase que tenho pena do Português que vem para o Algarve passar as Férias da Páscoa ou até a viagem de finalistas (desses ainda mais). Pois que uma semana antes está o amigo ou  famíliar a ligar a dar as boas novas de que já está um calor abrasador! “Até já estreei a sandaloca nova!” – diz ela! “E eu já tenho uma amostra de bronze!” – diz ele!
E os pobres fazem sei lá quantos km com a família encavalitada e o porta bagagem cheio de merendas apenas para se depararem com uma coisa: aqui chove torrencialmente na Páscoa, SEMPRE!
E aqui andam tristes e perdidos na ilusão de “Pode ser que amanhã não chova”.
E por isto não há shopping no Algarve que não esteja a rebentar pelas costuras na Páscoa! Haja crise e cerveja!
Mas o que se nota de diferente deste ano para os anteriores é que as lojas enchem mas não facturam! Já são tempos idos em que o Português matava a frustração, de umas férias inundadas, em compras impulsivas até rebentar o plafond!
Já lá vai o tempo em que regressavam com sacos de compras no lugar de um bronze, com a alma e carteira mais leves!
Pois agora a alma regressa pesada, a carteira vazia e a mesma cor de lula com que vieram!
O shopping seja pequeno ou grande está cheio de Mirones que se deixaram levar pelos encantos de um fim-de-semana prolongado na terra das 3000 horas de sol, voltando com o Folar ensopado em chuva torrencial.
Para o ano será melhor!
Feliz Páscoa!

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