Todos os dias o meu olhar perde-se no vazio da tua ausência.
Prendo-me na escuridão de uma sala vazia, de um pedaço que falta.
Vagueio pelas memórias que ainda permanecem em mim, percorro uma a uma para não as perder pois são tudo o que resta da tua presença em mim. Todo o meu corpo reaje quando te encontro de novo, parece que começo a viver, a sentir a respiração, o calor que percorre desde o meu coração – calor que já foi teu e que desconfio que sempre será.
Sinto-me como um castelo abandonado, outrora conquistado por um nobre cavaleiro que nele travou guerras de amores e desamores. Cavaleiro que passou mas deixou todas as marcas da sua existência, moldou as paredes e a alma do castelo tornando-o para sempre dele. Agora que não estás aqui, quem me visita é o vento, a brisa de uma memória distante.
O cheiro da saudade impregna todas as paredes deste castelo, que mesmo podendo ser habitado por outros, terá sempre a tua presença.A angústia dá o tom sombrio, existem sítios que nem o mais corajoso explorador quer visitar. Ergueram-se muros altos em lugares que nunca ninguém chegará, permanecerão para sempre intocados, permanecerão para sempre fiéis à tua presença chorando a tua partida. Haverá em mim lugares escuros e vazios que serão sempre teus, aconteça o que acontecer.