«Do You Know It’s Christmas?»

Nunca gostei intimamente da época Natalícia.  Sempre foi uma altura do ano que me assustou verdadeiramente. Dezembro era sempre o mês que queria que passasse o mais rápido possível. Dezembro era o culminar de um ano que finalizava comigo de mãos vazias e coração oco. Sem nada a mostrar. Sem nada que fizesse valer. O Natal era um show-off de fantasias que nunca se viriam a concretizar, de falhanços, de silêncio extremo no meu mais intimo. E por isso sempre o desprezei, o Natal, a época em que todos podem ser/mostrar-se/fazer-se felizes.

Não.

Passo os dias a ouvir as músicas de Natal que me consumiam como um buraco negro. Agora não. Dou por mim a cantá-las, com um sorriso de quem faz planos. Já não sinto as mãos vazias. Tenho algo a mostrar: que me libertei de um peso que me arrastava para o fundo de um oceano obscuro e demasiado pesado. Pelo menos um pouco. Permito-me mostrar um sorriso, um esboço de felicidade. E aproveito agora, pelo menos por agora, o Natal ajuda-me a ocupar o pensamento a criar, planear e a abstrair-me do tempo que teima em fugir. Aproxima-se um recomeço onde me posso comprometer a certas coisas – principalmente a esquecer-te. Onde me comprometo a tomar controlo de mim e não deixar que o silêncio roube mais pedaços de mim. Permito recompor-me.

Não, não é o Natal. É chegar ao fim de qualquer coisa e poder ter um vislumbre do inicio de outra. É o terminar e o recomeçar.

 

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Nota Mental XXI – “Falar é Fácil”

J. : O que já foi, já foi e pode nunca mais vir a ser…..

Eu : Na altura tomamos as coisas por garantido e depois já passou, demasiado depressa! Apercebemo-nos do que perdemos só depois, quando já foi. Temos de abrir mão do que já foi…isso liberta-nos um pouco mais. O peso “do que já foi mas poderia ter sido” é muito grande para levarmos connosco para o futuro.

J. : Demasiado.

Aconteça o Que Acontecer

Todos os dias o meu olhar perde-se no vazio da tua ausência.

Prendo-me na escuridão de uma sala vazia, de um pedaço que falta.

Vagueio pelas memórias que ainda permanecem em mim, percorro uma a uma para não as perder pois são tudo o que resta da tua presença em mim. Todo o meu corpo reaje quando te encontro de novo, parece que começo a viver, a sentir a respiração, o calor que percorre desde o meu coração – calor que já foi teu e que desconfio que sempre será.

Sinto-me como um castelo abandonado, outrora conquistado por um nobre cavaleiro que nele travou guerras de amores e desamores. Cavaleiro que passou mas deixou todas as marcas da sua existência, moldou as paredes e a alma do castelo tornando-o para sempre dele. Agora que não estás aqui, quem me visita é o vento, a brisa de uma memória distante.

O cheiro da saudade impregna todas as paredes deste castelo, que mesmo podendo ser habitado por outros, terá sempre a tua presença.A angústia dá o tom sombrio, existem sítios que nem o mais corajoso explorador quer visitar. Ergueram-se muros altos em lugares que nunca ninguém chegará, permanecerão para sempre intocados, permanecerão para sempre fiéis à tua presença chorando a tua partida. Haverá em mim lugares escuros e vazios que serão sempre teus, aconteça o que acontecer.