Mas és um estranho que não me causa estranheza. Sei o que pensas só de olhar para ti, sei-te ler como sempre soube mas nunca consegui compreender como o aprendi.
Sei quando gostas do que te dizem ou quando te fazem sentir desconfortável. Sei ver nos teus olhos e na maneira como tocas no meu braço que sentes a minha falta, que precisavas daquele abraço.
Não te consigo olhar nos olhos porque me fazes tremer, por seres um desconhecido ou por te me teres conhecido diferente. Porque saber que me podes olhar com estranheza também me causa medo. Porque também me sabes ler ou soubeste um dia e agora… agora tudo é nada. Não somos o que fomos e há um vazio por preencher. E a indiferença é quase osmótica. E eu não quero que me sejas indiferente, porque te amei e te desejei e hoje não é isso mas preciso que sejas presente, num equilíbrio que só tenho contigo. Um equilíbrio essencial e único. É necessário alguém que me conheça no mais pequeno gesto que não seja preciso falar. E preciso de ti assim, tu és para mim, o equilíbrio puro.
Manténs-me.
E tenho de ter alguém que consiga ver através de todas as barreiras, que saiba reconhecer na mais pequena ligeireza. É que, sabes, tu acalmas-me assim, pois sei que há alguém no mundo que consigo entender, não estou sozinha no meio da multidão.
E o tempo passou, e já não somos, tu és e eu sou, mas assim mesmo que te desconheça – conheço-te – e és quem me dá a mão e me faz dar mais um passo desajeitado.
E desculpa se não respirei entre as palavras, nem se fiz sentido, só queria que compreendesses que és mais importantes do que pensas. És mais importante do que eu pensava que poderias ser. És importante, é só isso que tens de saber. Consegues ver?
Sem Respirar
Anúncios
Anúncios