A ti deixo-te a vontade de não esquecer.
Tu que partiste abruptamente deixo-te a vontade de lembrar e relembrar todos os momentos vividos, conseguidos e roubados. Deixo-te todas as emoções contidas em palavras ditas ou escritas.
Deixo a ti a inocência de um sentimento puro e a indecência da razão, o aroma a sal e a areia, os lençóis brancos e a janela aberta. O tempo partilhado e esgotado. Os momentos de filme que existiram num tempo suspenso.
A despedida sentida quando olhei para trás e soube que seria a ultima. As lágrimas, os sorrisos, as gargalhadas.
A ansiedade de um encontro. A tristeza da impossibilidade. Deixo aqui a tentativa para esquecer tudo isso, que me ficou marcado na carne. Que me ficaste marcado na alma. Que me ficou cicatrizado no coração. Que não cura, não fecha, não sara – a memória que não morre nunca – por mais que a sufoque.
Ainda foi a tua última deixa?
Hoje foi um daqueles dias em que cheuguei aqui e queria ver novamente algo bonito deixado por ti…