
O Tejo tem um efeito cliché em mim. Fascina-me. Pano de fundo de bons momentos e doces memórias.
Traz-me sentimentos nos seus momentos. Mesmo aqueles que não quero rever nem quero sentir. Mas ali estão, vivem guardados eternamente (ou quase) em pequenas caixinhas da recordação. Fosse eu contar todas as histórias…
Na Lisboa nova houve uma lágrima contida, o Tejo soube mas tu não.
Abracei-te para que não a visses fugir de dentro da minha alma. Foi na primeira vez que senti medo, de me entregar, de te perder, da paixão que nos roubava a calma. Foi quando soube que por mais verdadeiro que parecesse nunca poderia ter-te. Já aí te senti a escapares-me pelos dedos a fugires-me sem olhar para trás, como previsse as imagens de um futuro nas negras águas do Tejo.
Foi o medo que me fez abraçar-te, mais forte e mais longo. Queria sentir o teu coração no presente, junto ao meu, ali e agora.
Tu sentiste sem saber. O beijo foi o mais forte de todos os beijos. Tu não o sabias, mas foi esse o último e o primeiro. O primeiro beijo de todos que marcaram o fim.