Passado no Agora

Sentada na mesa do canto da sala espero o tempo avançar para que possa mais logo ser aquela sentada no canto de uma sala, de um outro lugar.

Os velhotes juntam-se em grupo neste lugar, partilham refeições, conversas, companhia e sobretudo o tempo. Assim como eu, esperam numa consciência silênciosa o tempo avançar.

Na mesa de trás, três crianças sentadas preparam-se para a refeição, esses são imunes ao tempo. Ainda não o sentem estão protegidos num mundo longe desta nossa realidade governada pela ditadura das horas. As senhoras de cabelos brancos conversam infinitamente, existe uma imensidão de vida vivida para dizer.

Ao fundo os pratos e talheres rasgam-nos com o seu barulho estridente, a menina que os recolhe também ela está à espera que o tempo avance para que possa sair dali. A música de fundo por vezes pára e dá lugar a uma voz de mulher, talvez indiferente ao que está a dizer, as promoções e claro as horas. São horas de fechar.

Levanto-me e olho o relógio, esse gesto maldito que se entranhou no meu corpo. Muitas das vezes olho sem ver, é apenas o gesto que se repete. “Já são horas” ou “Ainda falta” e “É agora”. É o tempo, o tic-tac dos ponteiros, que me ensurdece e me cega. Pensamos demasiado no tempo e nisso deixamo-lo inevitavelmente passar sem realmente o viver.

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8 Agosto

0Só hoje é que reparei que a 8 de Agosto este espaço fez 2 anos de aniversário. Dois anos. Parece tanto e ao mesmo tempo infinitamente pouco tempo. Tudo aconteceu, tanto aconteceu que parece que tudo se deu num espaço de tempo muito, muito maior!

A vida passa tão rápido. E eu que pensava que não, que tudo anda demasiado devagar. Não, a vida passa à velocidade da luz, não espera por nós, continua sempre em frente. Quem não vê, não acompanha fica dormente a ver a vida passar. E em retroespectiva vejo o quanto mudei e aprendi neste espaço de tempo onde tudo aconteceu. Aprender é crescer.

O quanto aconteceu. Tanto! Talvez aqui não se note, mas sei e sinto que sou outra pessoa. Estou em constante mudança e evolução, é fascinante! E a vida passa, como passa!

Todas as palavras, aqui, são mais que sinceras. São parte de mim, do que sou, do que fui, do que tento e quero ser. Fico feliz que pelo menos este projecto se mantenha vivo e em desenvolvimento. O meu caderno de folhas ilimitadas.  A janela que muitos podem espreitar para me conhecer. Ainda não chegou ao seu momento de acabar e passar como muitas coisas já foram e já passaram. Não! Continua em mim, vivo. Continuo nele, no meu Livro de Reclamações.

“Hoje não dá.”

Até que ponto consigo ouvir esta frase vezes e vezes sem conta sem desistir? Quando o esforço é pouco ou nenhum e as desculpas são apenas isso não justificando o “Hoje não dá”, até quando vou continuar a perguntar:  “E Hoje?” na esperança de ouvir uma resposta diferente?

Até quando vou conseguir acreditar que as pessoas que dizem que se importam, que eu acho que importam, realmente se importam? É que hoje, e em muitos outros dias, realmente não dá!