Livro de Reclamações

Cartas de Papel Palavras a Tinta Preta

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– Já ninguém escreve cartas de amor, tudo se perde em sms, e-mails, blogues.

Fernando Pessoa dizia que “todas as cartas de amor são ridículas” mas “só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”.

Sempre gostei de cartas. Mesmo das cartas de amor. Penso só ter recebido uma vez na vida uma bonita carta de amor, fruto da juventude tenra em que o amor era cheio de coisas mágicas.
As cartas são verdadeiras, conservam memórias físicas de quem as escreve. As marcas no papel são como as rugas na face de uma pessoa, mostram vida. Trazem-me o cheiro que só a imaginação me faria sentir. Mostram a emoção através de palavras que ganham vida em formas tão peculiares. Não há nada mais pessoal que conhecer a letra da pessoa que nos corresponde. As cartas fazem-me sentir tão perto que posso jurar que estou no mesmo lugar na mesma fracção de tempo  que a pessoa que as escreveu, quando abro uma carta. A antecipação de abrir uma carta de alguém especial é quase tão grande como quando espero por ele à chegada.

Já ninguém escreve cartas de amor, é verdade. Tudo se perde na frieza de um teclado, na incerteza do digital. As cartas ficam para sempre prova de uma intimidade esquecida. E a despedida numa carta de amor é quase tão doce como uma despedida em presença, é sentida e carinhosa na esperança de ser correspondida para que possa tornar a ver-te,  uma vez e outra, e assim guardar-te para sempre, num aroma, em palavras, numa folha de papel.
Tenho saudades de coisas tão simples e verdadeiras como as cartas.

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