“Temos os amigos que podemos”

As nossas redes sociais são-nos essenciais. O mundo perde o encanto sem amigos que partilhem a nossa vida, que nos ajudem a resolver problemas ou a tomar decisões.

Mas ao contrário do que se pode pensar, a nossa escolha de amigos não depende totalmente de nós – e mais, trocamos ciclicamente uma parte substancial desses amigos por outros. Gerald Mollenhorst, da Organização da Investigação Científica da Holanda, realizou um estudo junto de um milhar de pessoas, com 18 a 65 anos de idade, que foram inquiridas duas vezes, com sete anos de intervalo.

Duas conclusões. Por um lado, os amigos que temos também dependem das nossas circunstâncias, das nossas oportunidades de conhecer pessoas – e não só da nossa vontade. Temos os amigos que podemos, em suma.

Por outro, após sete anos, embora o número total de amigos continue mais ou menos igual, apenas 30 por cento dos nossos amigos iniciais ainda merecem essa designação. E 52 por cento já nem sequer gravitam na nossa rede social. O estudo não equaciona, porém, a crescente tendência a travarmos e-amizades nas redes sociais da Web. Estaremos a transformar-nos numa sociedade de amigos virtuais?

Tirado de “No futuro, vamos ficar sem amigos reais?

em Publico.pt, Ana Gerschenfeld, 30-05-2009

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