“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.” Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego
Deixar de escrever foi a pior coisa que alguma vez pensei fazer. Talvez uma das piores que já fiz a mim mesma. “E depois?” – perguntei a mim mesma – e se lerem? E se me pedirem justificações pelas palavras, pela emoção contida, pelo significado? Entendam o que quiserem entender, dêem-lhes os significados que melhor consigam. E se algum dia não fizer sentido, não me perguntem, não responderei. O melhor a fazer, para dissipar dúvidas ou questões inconvenientes (e provavelmente respostas inquietas) é não ler.
É o meu lugar, aquele onde escrevo o que quero, o que posso, o que consigo. Onde finjo a verdade, onde verdadeiramente (me) sinto no fingimento. Onde nada terei a quem justificar senão a mim mesma. Poderá parecer sem sentido para alguns, não me importo, não quero saber.
Tem o sentido que quero dar, tem a lógica que quero perceber, tem o motivo que me justifica. Não vou deixar de escrever aquilo que me aprouver por não querer ferir susceptibilidades, quem lê com susceptibilidades sensíveis que mude de página. Aqui, neste espaço, não terei nunca de me justificar, e se me perguntarem “Porquê?” eu responderei da maneira mais distante e infantil “Eu escrevo o que eu quiser.”