
Quando fechei a porta fi-lo com todas as minhas forças. Do lado de dentro eu e de fora o mundo inteiro. Prometi-me que não deixaria entrar mais ninguém para que não tivesse de sofrer a sua saída.
Prometi-me não deixar entrar as sombras da dor para não mais a sentir no meu corpo. O que me separa do mundo são paredes finas e uma porta fechada. Fechada mas destrancada. Uma leve inconsciência que ainda me deixa vulnerável a quem está lá fora. Quem quer entrar bate á porta mas nunca tenta abrir. Eu tento abrir. Falamos através de barreiras, criamos laços à distância de um rodar de maçaneta. Quem conhece não sabe que a porta está destrancada, ou talvez não queira saber. Basta um gesto e está cá dentro, em mim. Ninguém na realidade tentou entrar. Talvez pensem que nunca o permitirei. Não existe nenhuma barreira intransponível, só aquelas que nos queremos fazer acreditar.
“Ninguém na realidade tentou entrar.”
Alguns abririam a porta por completo estando fartos de estar sozinhos, outros continuam á espera de alguém de confiaça. Que bata á porta, que vá entrando devagarinho, que vá ficando e que jamais se vá embora…
when you open that door, close the window smoothly…