Sabes como é, acordar e sentir aquela brisa?
Traz um cheiro que reconheço com facilidade. O cheiro do sol e do calor. O cheiro que todas as coisas libertam quando tocadas pelos raios fervorosos do sol.
As árvores, o alcatrão, a vegetação, as pessoas. Também traz em si, a humidade salgada do mar. Tudo isto chega até mim e entra em mim, o meu cérebro reconhece todos estes odores e rapidamente debita um sem número de impulsos neurológicos. Relembro muitos momentos associados a esta brisa do verão.
Faz-me lembrar a simplicidade da vida. Como era fácil ser feliz, como era importante sorrir, sentir-me viva no meu corpo! Como tudo era descomplicado e olhado sem filtros nem condicionantes emocionais. Tudo era cru, nú, verdadeiro.
O beijo seria apenas o beijo, uma rajada de emoções que nos aquecia o corpo e trazia rubor ás faces.
Uma conversa era apenas uma conversa, tida entre duas amigas, que se compreendiam e estavam ligadas entre si num laço de verdadeira cumplicidade.
Caminhava muitas vezes sozinha, cidade fora, simplesmente a absorver todos os odores, todas as cores. E os sons!
Era apaixonada por tudo à minha volta, pela vida, pela simples existência.
O que a brisa me traz hoje é a recordação de quem sou e de quem fui. E faz-me sorrir, porque nem tudo se perdeu e no fundo continuo apaixonada pela simplicidade da vida, embora nem sempre me lembre disso.