Escrever é esquecer.
«Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer.»O Livro do Desassossego, Fernando Pessoa, P.49
Eu: Não tenho paciência para estes jogos.
Ela: Devias dizer-lhe das boas.
Eu: Se isto continua digo-lhe: “Olha lá!….. Queres brincar vai ao Toys’r'us!!”
Ela: E sem vale de desconto!

Uma simples curta-metragem sobre comunicação. Criado por Publicis Mojo e @RadicalMedia.
Realizador: Patrick Hughes
Sou uma pessoa complicada, se é que essa definição alguma vez faça sentido. Não sei se haverá mesmo pessoas simples ou pessoas complicadas, mas existe a ideia de que esse tipo de pessoas existem.
Sou então aquilo a que chamam: uma pessoa complicada.
Por vezes reajo com indiferença a tal afirmação e por outras vezes algo dentro de mim ferve muito veemente, com revolta, angústia, desespero.
“És calada, reservada, discreta, não tomas a iniciativa.” – disse em tom perjurativo . “Enfim, és assim, mas que poderei fazer?” – como se de uma doença incurável se tratasse, algo que vem no pacote mas que não se quer e que se tem de levar à força, sem escolha. Talvez não seja uma pessoa fácil. Não comunico fluentemente, não sei falar com as pessoas, tenho dificuldades em perceber conversas de ocasião. Não me ensinaram a expressão por palavras com sons. Não me ensinaram a expressão por gestos e acções.
Ensinaram-me o silêncio, a distância. Aprendi-os como defesa e como ataque.
“Talvez te consiga mudar.” é a frase que me deixa em fúria. Ninguém muda ninguém, seja porque motivo for. Simplesmente ensinamos ao outro comportamentos, acções, atitudes, que o outro adopta (consciente ou inconscientemente) e então com esse novo conhecimento modela-se, adapta-se, transforma-se, mas mantém a sua essência (no fundo). Numa situação de defesa (ou ataque!) voltamos ao que somos na nossa essência e o que aprendemos de novo perde-se e terá de ser novamente resgatado. Eu tenho (alguma) noção do que sou. Sei as minhas dificuldades e limitações, sei também que as tenho de ultrapassar e para isso vou aprendendo a faze-lo com quem realmente me aceite na minha essência. Complicada ou não existirá sempre alguém com uma maneira simples de me perceber e principalmente de me ver. E mais importante do que saber as minhas dificuldades e limitações, sei quais são as minhas forças e virtudes, é curioso que essas sejam raramente realçadas. Mas isso é toda uma outra conversa.
“A vida prejudica a expressão da vida.
Se eu vivesse um grande amor nunca o poderia contar.”
Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego
“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.” Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego
Deixar de escrever foi a pior coisa que alguma vez pensei fazer. Talvez uma das piores que já fiz a mim mesma. “E depois?” – perguntei a mim mesma – e se lerem? E se me pedirem justificações pelas palavras, pela emoção contida, pelo significado? Entendam o que quiserem entender, dêem-lhes os significados que melhor consigam. E se algum dia não fizer sentido, não me perguntem, não responderei. O melhor a fazer, para dissipar dúvidas ou questões inconvenientes (e provavelmente respostas inquietas) é não ler.
É o meu lugar, aquele onde escrevo o que quero, o que posso, o que consigo. Onde finjo a verdade, onde verdadeiramente (me) sinto no fingimento. Onde nada terei a quem justificar senão a mim mesma. Poderá parecer sem sentido para alguns, não me importo, não quero saber.
Tem o sentido que quero dar, tem a lógica que quero perceber, tem o motivo que me justifica. Não vou deixar de escrever aquilo que me aprouver por não querer ferir susceptibilidades, quem lê com susceptibilidades sensíveis que mude de página. Aqui, neste espaço, não terei nunca de me justificar, e se me perguntarem “Porquê?” eu responderei da maneira mais distante e infantil “Eu escrevo o que eu quiser.”
As nossas redes sociais são-nos essenciais. O mundo perde o encanto sem amigos que partilhem a nossa vida, que nos ajudem a resolver problemas ou a tomar decisões.
Mas ao contrário do que se pode pensar, a nossa escolha de amigos não depende totalmente de nós – e mais, trocamos ciclicamente uma parte substancial desses amigos por outros. Gerald Mollenhorst, da Organização da Investigação Científica da Holanda, realizou um estudo junto de um milhar de pessoas, com 18 a 65 anos de idade, que foram inquiridas duas vezes, com sete anos de intervalo.
Duas conclusões. Por um lado, os amigos que temos também dependem das nossas circunstâncias, das nossas oportunidades de conhecer pessoas – e não só da nossa vontade. Temos os amigos que podemos, em suma.
Por outro, após sete anos, embora o número total de amigos continue mais ou menos igual, apenas 30 por cento dos nossos amigos iniciais ainda merecem essa designação. E 52 por cento já nem sequer gravitam na nossa rede social. O estudo não equaciona, porém, a crescente tendência a travarmos e-amizades nas redes sociais da Web. Estaremos a transformar-nos numa sociedade de amigos virtuais?
Tirado de “No futuro, vamos ficar sem amigos reais?“
em Publico.pt, Ana Gerschenfeld, 30-05-2009
É impossível não ficar rendido a esta curta excelente e ao que pretende transmitir.

Olhei a janela e todo o meu corpo estava em silêncio no meio de todo o ruído mecânico.
Senti que algo me caiu no rosto e deixou um rasto húmido pela face. Toquei para saber o que era, quando o sinto novamente! Uma lágrima. E outra. Não sentia pois ainda estava dormente. Todo o meu corpo estava ainda sob o efeito de sedativos e analgésicos, por pouco tempo. Ela já lá estava mesmo sem sentir e começou a doer ligeiramente, até que irrompeu sob a minha alma, a minha pele. Tornou-se física e chorei quase compulsivamente. Num silêncio. Num vazio.
E quando olhei para trás não mais te vi. Agora só tinha a última fotografia do irreal, um “Até já” e um beijo. E mais uma vez segui rumo à distância, à saudade, ao incerto. E doeu.




"Pensamentos tornam-se coisas"