Escrever é esquecer.
«As palavras preenchem abismos. Constroem pontes de madeira ou aço fino. Somos todos em forma de palavras.»Pedro Paixão
“Mr. star… from the beginning, my wish was you never leaving me alone ever again.”
Estrela perdida na imensidão do vazio.
Não se perdeu.
Deixou de brilhar e fui eu quem deixou de a ver.
Mais uma vez.
Onde está a minha Estrela?
“Era o único homem que a fazia chorar. Tudo nele a comovia, a desconcertava, a mobilizava para o afecto exagerado, a paixão assolapada, o beco sem saída. Havia ali qualquer coisa que não a largava e que a exasperava, como uma criança birrenta que insistisse em ir no sentido contrário. Levava-a ao nó na garganta, às vezes mesmo às lágrimas, com apenas meia dúzia de sílabas, tal o desespero que ela continuava a sentir no seu discurso aparentemente articulado. Não era de todo o homem que mais amara, aliás, não sabia se o amara, sequer, mas algo nele a emocionava e lhe doía, como uma ferida rasgada, uma aflição na noite, embora não conseguisse identificar exactamente o quê: se o desencanto, que ele insistia em alimentar de uma esperança irracional; se o carinho que derramava sobre ela quando estavam em sintonia; se a loucura que vadiava por ele e que abafava desajeitadamente, convicto de que só a normalidade lhe permitiria a decência perante os seus pares.”
Se tivesse de o dizer, seria assim.
Coisas da vida.
A vida é assim.
É assim e prontos.
Shit happens.
That’s fucking life.
[...]
Uma enormidade de expressões usadas para fazer que se diz alguma casa. Uma imensidão de palavras que nada dizem e caem no vazio. Para mim, tudo farinha do mesmo saco. Tudo frases pseudo-profundas em que ficas a saber o mesmo – nada.
Que se lixe.
Penso que a maior parte de nós tem tendência para o complicado.
Somos/estamos pré-programados a tornar a mais simples das situações/questão/problemas num bicho de sete cabeças e nem sempre vemos quando há uma simples solução à mão de semear.
Quando os USA iniciaram as suas jornadas para o espaço depararam-se com um problema, os astronautas não podiam escrever pois na ausência de gravidade as canetas não funcionavam. Logo se propôs 1 milhão de Dólares para inventarem a caneta que escrevesse no espaço, assim aconteceu.
Ora quando os Russos começaram a fazer as suas próprias investidas no espaço tiveram o mesmo problema, o qual solucionaram rapidamente – passaram a usar lápis.
As soluções simples estão lá. Ou não as vemos porque não conseguimos, ou não as vemos porque não queremos ou se as vemos não as tomamos porque o pensamento “Não pode ser assim tão simples” assalta-nos de imediato.
Estamos programados para o complicado, é logo o que identificamos e apenas o que vemos, como se tivessemos palas nos olhos como os burros. Olhamos em frente, para o complicado, e ao lado passa-nos o simples.
Bem haja às excepções!
Ele: Sabes o que é uma pinhoca?
Eu: Pinhoca?! Não!
Ele: Aqui é o que se chama às pinhas quando estão abertas, são pinhocas. E se estiverem fechadas são pinhas.
Eu: Coitadas das pinhas. Esse nome soa a depreciativo – pinhoca – é como se fossem despromovidas.
Ele: Não, são é promovidas… Primeiro é so uma pinha…. mas agora ja é uma PINHOCA.
Eu: Desculpa, mas não concordo. Tipo tu tens uma pila, mas se quando baixares as calcinhas para o acto do amor ela passar a PILOCA – nao sou a promoção! É tipo um diminutivo disfarçado.
Ele: Que comparação tão fofa.
Eu: A comparação foi fofa para perceberes a “gravidez” da situação da pinha. Que justamente quando se abre para dar ao mundo os seus belos e saborosos PINHÕES passa a ser uma PINHOCA. É simplesmente injusto.
Ele: Pronto está bem.
Eu: Motivo suficiente para sindicato das Pinhas fazer uma greve ao pinhão «Ninguém come da “pinhoca”!»
Ele: O que é que andas a fumar? Também quero…
Eu:
Todos os dias acordo de manhã, faço os mesmos gestos quando faço a limpeza da pele, os mesmo movimentos quando escovo os dentes, quando esfrego o cabelo e o seco também.
Todos os dias de manhã saio de rompante com parte do pequeno almoço no estômago mastigado á pressa e o restante na mão e como pelo caminho.
Sempre que saio do prédio páro por um segundo e inspiro fundo. Sinto a brisa ou a falta dela e mentalmente faço um prognóstico para o dia.
Tomo sempre o mesmo caminho e é sempre naquele cruzamento, em que espero que o sinal fique verde, que penso que deveria seguir um caminho diferente. Olho para a estrada até onde a vista alcança traçando a rota mentalmente e uma série de factores passam pela minha mente. Todos os dias penso “Hoje não, quando tiver tempo.”
Pelo caminho que sigo religiosamente encontro, todos os dias, a mesma senhora que se apressa a abrir o blockbuster da esquina. “Parece ser bom” – penso sempre que espreito para dentro enquanto a grade abre – “Um dia tenho de me inscrever”.
Quase na recta final do meu destino, todos os dias, compro o jornal e todos os dias a mesma cara sorridente me diz “É 1€”, excepto aos fins de semana claro. Sigo com o jornal de eleição debaixo do braço, o i.
E assim chego todos os dias ao mesmo destino, o trabalho, em que apesar de ser sempre diferente na sua essência é sempre igual, todos os dias.
Hoje na pausa de sempre para o café (descafeinado) o pacote de açúcar diz-me “Está na hora de mudar. Hoje é o dia.” Sorrio e penso: “Talvez comece por virar noutra rua, naquele cruzamento, onde olho sempre o caminho diferente que poderia tomar.“
Preciso que estejas presente em corpo, em espírito, em mente. A forma das palavras que me levam pela mão. Fazem-me subir mais alto, olhar em frente, preciso-te presente!
Preciso que estejas aqui. Sentir que sempre estiveste, faz-me crescer, querer ser mais.
Sê o homem que me puxa ao limite, que me faz perder o controlo, beijar o medo.
Preciso que me faças acreditar. Que sou capaz de amar. Que sou alguém com alguém, desprovida de vazio. Capaz de ser a luz do sol que aquece a manhã fria.
Preciso que me tires da sombra.
Que me faças chorar nas tuas palavras duras. Que me faças ver melhor na neblina da dúvida. A verdade brutal. A sinceridade dilacerante.
O teu sorriso, o teu olhar, o teu carinho, o teu bom dia. Preciso mais da alma que da carne. A alma que sempre partilhámos, do nosso mundo que sempre conheceu a luz de prata da Lua.
Preciso de saber se aí estás.
O silêncio nada diz. É mudo como a sombra.
É breu, é nada. Preciso de ti, sempre, presente em mim.

O Tejo tem um efeito cliché em mim. Fascina-me. Pano de fundo de bons momentos e doces memórias.
Traz-me sentimentos nos seus momentos. Mesmo aqueles que não quero rever nem quero sentir. Mas ali estão, vivem guardados eternamente (ou quase) em pequenas caixinhas da recordação. Fosse eu contar todas as histórias…
Na Lisboa nova houve uma lágrima contida, o Tejo soube mas tu não.
Abracei-te para que não a visses fugir de dentro da minha alma. Foi na primeira vez que senti medo, de me entregar, de te perder, da paixão que nos roubava a calma. Foi quando soube que por mais verdadeiro que parecesse nunca poderia ter-te. Já aí te senti a escapares-me pelos dedos a fugires-me sem olhar para trás, como previsse as imagens de um futuro nas negras águas do Tejo.
Foi o medo que me fez abraçar-te, mais forte e mais longo. Queria sentir o teu coração no presente, junto ao meu, ali e agora.
Tu sentiste sem saber. O beijo foi o mais forte de todos os beijos. Tu não o sabias, mas foi esse o último e o primeiro. O primeiro beijo de todos que marcaram o fim.

Eu: Quando vejo este cartaz leio sempre “Nunca baixamos os preços” apesar de saber que lá está escrito “braços” e fico sempre com um ar surpresó-embasbacado.
Ele: És uma tola.
Eu: Pelo menos seria uma publicidade mais sincera…
Ele: Uma palavra: Tola-idiótica.

Não te quero,juro!
Apesar do teu sorriso iluminar mais dias que o próprio sol, não te quero juro!
Apesar de quando te olho nos olhos querer ler mais de ti do que a forma irregular das tuas cores,não te quero juro!
Ainda que o meu toque queira ser completo na tua pele, não te desejo juro!
Ainda que o teu calor abrace todos os meus poros, não te desejo, juro!
Mesmo que queira ouvir a tua voz na forma de doces palavras, não te preciso juro!
Mesmo que a tua presença em mim se faça de todas as formas, o meu último pensamento seja teu, o meu prazer noturno seja em ti, e a minha saudade tenha o teu nome, não é paixão, juro!





"Pensamentos tornam-se coisas"
