O meu Livro

De vez em quando venho aqui apenas para folhear páginas. Sou uma visitante das minhas próprias palavras. De capitulo em capitulo vou revivendo as emoções que ficaram tão conservadas nestes textos irrequietos. Recordo-me as razões pelas quais O Livro nasceu e o quanto cresceu em mim. Desde o final de um grande amor ao nascimento de uma enorme paixão avassaladora, O Livro acompanhou-me e eu deixei nele pequenos pedaços de mim. Aqueles que não conseguia dizer a ninguém, explicar a alguém. Os momentos que tive de exorcizar sozinha, as decisões e indecisões. A saudade. Principalmente a saudade.
E hoje, as palavras não pintam tanto de preto como antes, mas O Livro é a minha bengala. É uma extensão da minha alma. É a parte de mim que não consigo mostrar e que ao mesmo tempo está aberta ao mundo!
Venho folhear palavras escritas, páginas, capítulos, para me recordar que existe uma força motriz que me obriga a ultrapassar toda a mágoa, todo o vazio, toda a solidão. Lembra-me que sou capaz de amar. E que sou capaz de escrever.

Receita de Ano Novo

Disponha de doze meses inteiros.
Limpe muito bem de todo o ressentimento, raiva e inveja.
Deixe-os bem frescos e o mais limpos possíveis.
Agora corte cada mês em 28, 30 ou 31 peças, mas não os amontoe todos de uma vez.
Prepare um dia de cada vez.
Misture muito bem em cada dia:
- Uma porção de fé,
- Uma porção de paciência,
- Uma porção de coragem,
- Uma porção de trabalho.
E adicione também, a cada dia:
- Uma porção de esperança, generosidade e amabilidade.
Amasse bem e junte: meditação, uma boa acção.
Tempere bem com espírito positivo, uma pitada de divertimento, uma mão cheia de alegria, e uma chávena cheia de bom humor.

Coloque a mistura numa taça de amor. Deixe cozinhar muito bem sob calor radiante da felicidade.
Guarneça com um sorriso e sirva com plenitude, altruísmo e boa disposição.

Delicie-se com o seu novo ano!

Este Natal Quero…

…que o tempo passe mais devagar.

Parece que foi no outro dia que escrevi isto e no entanto já se passou praticamente um ano. Num pequeno scroll-up há um resumo simplório do que seriam 365 dias. O passar do tempo bate bem forte e quase deita a parede abaixo. E parece que não há tempo para tudo e ainda falta viver tanto, que me prendo em passadas lentas pela vida, faltando a todos os objectivos a que me propus. O tempo surge como uma âncora que me relembra sempre que a vida já foi e que o que acho que é o amanhã já foi ontem. Já passou. E a cada dia, mês, ano que passa vou sentindo o desespero do tempo. E as noções de que há tempo para tudo, até para o tempo, desaparecem. Existe uma ansiedade de não passar pelas horas. Existe uma contradição, tanto quero que passe rápido como acho que passa rápido demais. Faz parte da natureza humana a inconstância e a inconformidade. Quero o tempo e não quero, quero que passe e não passe. Não quero que chegue o Natal, mas quero que passe rápido. Quero que seja já, mas não agora.

E todos os dias observo as pessoas a passar pelo tempo. E todos os dias sinto as memórias queridas a desvanecerem-se no tempo. E a todas as horas sinto aquele momento mais distante. E a todos os minutos me sinto parada no tempo. E respiro fundo. E já passou. E é isso que tenho de relembrar, um passo de cada vez, um gesto após o outro, uma palavra depois de outra. Não esquecer de viver. Não esquecer de amar. Não esquecer de concretizar. Não esquecer de sonhar. E é isto que desejo: Não vale a pena combater o tempo, não te esqueças de sonhar e não te esqueças de ser feliz!

Feliz Natal.

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Uma Música Que Alguém Me Deu – II

Por vezes na vida perdemos fé nas pessoas, na capacidade de resistência da amizade. Tomamos pessoas e sentimentos por garantidos. E existem aquelas pessoas, talvez uma mão cheia, talvez menos talvez mais, que levantam de novo o véu do que é uma das emoções que sobrevivem tempo, muros de pedra, nuvens cinzentas, silêncios obscuros, felicidade extrema.

De repente a vida atira-nos com as verdades na cara para que não nos esqueçamos que nem tudo é cinzento escuro efémero e fútil. Aquelas pessoas que sabemos que serão as vigas da nossa existência e nós das delas, que sem elas não existiríamos como existimos, que não seriamos quem somos. Que fazem mais do que parte da nossa vida. Tornam-se parte da nossa personalidade, parte da nossa existência, parte do nosso ser.

As pessoas que representam a amizade absoluta, “no matter what“. Com quem rimos, sonhamos, convivemos, vivemos, sobrevivemos, aprendemos. Que nem sempre sabem o que nos dizem, que também não são perfeitas, que nos ensinam a nossa falibilidade. Que nos dão a mão, a quem damos a mão. Que fazem parte dos nossos segredos. Fazem parte dos nossos medos. Com quem choramos. Que confortam o nosso coração. Que nos dão uma tareia se for preciso. Que nos mostram o outro lado, o lado de fora, o que não é bem assim, a imagem completa. Que nos tiram da nossa caixinha fechada e nos jogam um balde de realidade gelada. Que são uma outra forma de amar. Que nos mostram a outra parte de nós, a parte que só eles vêm e nós não,  o espelho.

E que, mesmo longe, mesmo ausentes, mesmo silenciosas, abrem caminho até nós quando for preciso.

Os amigos que nos ajudam a sobreviver. Os amigos que facilitam o viver. Aquele punhado de pessoas das quais não abririamos mão. Os verdadeiros sinceros “no matter whatamigos.

Uma Música Que Alguém Me Deu – I

Naquele dia o J. veio me buscar.
Durante a travessia do Tejo o meu coração sofria arritmias agressivas.
Os seus beijos faziam-me saltar uma batida. O seu olhar acelerava-me os batimentos por segundo.
Por instantes o meu olhar fugia para o horizonte e fitava as margens do rio. Quando pensava na realidade o meu coração quase parava. Tínhamos construído uma ilusão em que ambos acreditavamos. Aquele mundo só existia se estivéssemos juntos e quando estávamos tudo ameaçava implodir sobre os nossos peitos. Julgava eu que já tinha conhecido a Paixão. Estava eu tão enganada. Ao subirmos a colina de carro, na minha garganta formava-se um nó. O início do fim. Cada começo significava mais um adeus. Porque não éramos um do outro, na verdade, faltava a realidade. Na nossa fantasia, seríamos eternamente apaixonados, juntos à luz do dia. Por mais que o sol brilhasse crescíamos nas sombras – aquele sentimento temia a luz. E a nossa ilusão protegia a Paixão, dava-lhe resguardo, como uma gruta aos seus morcegos. A música tocou na rádio e J. aumentou o volume:
“É a nossa.”
Ouvi sem desviar o olhar para ele. A ansiedade calou-me a voz.
Aquela música que tocou no dia em que nos conhecemos e soubemos, logo aí, no primeiro olhar, que estávamos condenados. Tínhamos encontrado juntos um problema. Um impasse. Um desvio que nos levou ao êxtase. A um beijo secreto numa praia da Costa da Caparica em noite de lua cheia.
Uma encruzilhada. Um “e agora?”.
E agora? Era o que queria perguntar. No entanto olhei para ele respirei fundo e sorri. Suspirei, deixei-me levar e disse-lhe “Tive saudades tuas”. Senti o mundo parar. A música ficou para sempre nossa. A paixão também.

Epidemia

Hoje em dia existe cada vez mais. Alastra-se. Aprende-se. Nasce-se com ela. Mas está a aumentar exponencialmente. Não consigo perceber.

A Estupidez Humana. Arrasa tudo.

“Mais vale 1 Grama de Atitude que 1000 Conselhos!”

Existem alturas na vida que tenho de agitar as águas do conformismo. Sinto nas profundezas do meu ser que é tempo de mudança!
As condições de mudança existem, as estrelas alinharam-se, a força de vontade está aí, as metas estão marcadas! É necessário ter atitude para atingir o êxito! Passo a passo. O que interessa é continuar, não parar.

Emoções em Rascunho

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Seria mais um dia em que não pensava em ti mas as tuas palavras rasgaram o silêncio. Foi com um olá que o meu corpo estremeceu. Pareceste-me demasiado familiar e no entanto não sei já quem és. O tempo e a distância mudam tudo. Ainda mais porque ficamos em suspenso, mal resolvido, mal explicado. Cada palavra tua pesa na minha consciência, obriga-me a sentir aquilo que escondi do coração. O que foi mal dito, o que ficou por dizer, o que ficou por explicar. Aquilo que não te soube garantir quando foi mais importante. Porque fui imatura e não pensei nem com a alma nem com o coração. Porque me achei corajosa numa situação em que fui covarde,pois tive medo. Da mudança. Do desconhecido. Apesar de…o desconhecido ser-me tão familiar contigo. Poderão  haver todas as razões que nunca justificarão as acções. Não haverá palavras que façam jus à compreensão. Porque o tempo já passou e o que ficou foi a desilusão de um momento que ficou pendente no espaço sem explicação. A falta de palavras, a falta de prova de que tudo o que era nosso era válido. Sempre o foi.
As emoções ficaram em rascunho. Pois não expressei os meus medos e apreensões. Não te disse o quão assustada me sentia. Apenas recuei e fugi. Não soube como confessar as minhas dúvidas. Não quis confiar que as entendias. Talvez agora consiga tirar as emoções do rascunho e as publique em palavras. Mesmo que de nada sirva.

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No Entretanto

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Existem na vida momentos que parece que tudo passa rápido demais. Mal temos oportunidade de guardar a lembrança de um cheiro, um gesto, um som. E existem outros que parece que esperamos que a vida passe por nós. Tudo acontece muito devagar ou nada acontece tão depressa. O Sol nasce e o Sol põe-se e no entretanto a vida passou por nós e nós passamos por ela.
Parece que estamos em suspenso, apanhamos fôlego e aguardamos para podermos expirar. Mas nada acontece.
Tenho o coração em suspenso entre a mágoa e a felicidade e sinto a vida em suspenso entre o acordar e o adormecer.
Sinto o momento em suspenso entre o acreditar e a desilusão.
Até as palavras estão em suspenso.
Mas isto é uma ilusão. A vida passa sempre rápido demais depende de nós o facto de a conseguirmos ver, sentir e escutar na mesma proporção. Mas neste momento parece-me que não, não consigo. É como estar num corredor que nos leva de uma sala para a outra, estou no entretanto de uma etapa da minha vida, não posso respirar de alívio por lá ter chegado nem inspirar fundo por já ter partido. Estou a conter a respiração, num momento suspenso, até deixar de ver a luz da última sala e começar a sentir a intensidade da próxima divisão. E este corredor é escuro e longo, o caminho é moroso, mas não será eterno. Chegamos sempre a algum lado.

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Os Mirones e As Férias da Páscoa

Quase que tenho pena do Português que vem para o Algarve passar as Férias da Páscoa ou até a viagem de finalistas (desses ainda mais). Pois que uma semana antes está o amigo ou  famíliar a ligar a dar as boas novas de que já está um calor abrasador! “Até já estreei a sandaloca nova!” – diz ela! “E eu já tenho uma amostra de bronze!” – diz ele!
E os pobres fazem sei lá quantos km com a família encavalitada e o porta bagagem cheio de merendas apenas para se depararem com uma coisa: aqui chove torrencialmente na Páscoa, SEMPRE!
E aqui andam tristes e perdidos na ilusão de “Pode ser que amanhã não chova”.
E por isto não há shopping no Algarve que não esteja a rebentar pelas costuras na Páscoa! Haja crise e cerveja!
Mas o que se nota de diferente deste ano para os anteriores é que as lojas enchem mas não facturam! Já são tempos idos em que o Português matava a frustração, de umas férias inundadas, em compras impulsivas até rebentar o plafond!
Já lá vai o tempo em que regressavam com sacos de compras no lugar de um bronze, com a alma e carteira mais leves!
Pois agora a alma regressa pesada, a carteira vazia e a mesma cor de lula com que vieram!
O shopping seja pequeno ou grande está cheio de Mirones que se deixaram levar pelos encantos de um fim-de-semana prolongado na terra das 3000 horas de sol, voltando com o Folar ensopado em chuva torrencial.
Para o ano será melhor!
Feliz Páscoa!

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